A família a viu pela última vez quando ela informou que sairia de casa, no bairro Bom Jesus, na Zona Leste, para buscar roupas. Naquele mesmo dia, familiares registraram o desaparecimento. Na terça-feira (15), o vídeo começou a circular em redes sociais e chegou até os investigadores, que mostraram para a família e confirmaram que ela foi vítima do crime. O vídeo é gravado em um matagal e mostra uma pessoa com uma arma atirando duas vezes contra Paola. Outra pessoa filma. Antes de ser baleada, a vítima se deita em uma cova, que parece ter sido recentemente aberta pelos criminosos. Ela não reage à ação.
A polícia tenta descobrir, agora, onde ocorreu o crime. O delegado Gabriel Bicca, diretor de investigações do Departamento de Homicídios, diz ainda não ter pistas sobre a cova e que a localização é considerada fundamental para o inquérito. Também no domingo, mas na madrugada, por volta de 4h45min, Paola fez postagem em seu Facebook afirmando que seu ex-marido teria colocado uma foto sua em um grupo de troca de mensagens atribuído a traficantes de uma das maiores facções do Rio Grande do Sul. Na mensagem, ela diz que “apanhava horrores” dele. Bicca garante que a polícia está tratando de delimitar com quem Paola se relacionava. O objetivo é tentar descobrir o motivo do crime. Para ele, o crime ocorreu “no contexto dos grupos criminosos” de Porto Alegre e, com a divulgação do vídeo, o caso deixou de ser um “simples desaparecimento”. A polícia não descarta a possibilidade de as postagens que ela fez terem motivado o crime.
Distanciamento da família
Há cerca de um ano, segundo a família, Paola teria começado a se distanciar e não ouvir mais os conselhos. A jovem conheceu amigos pelas redes sociais, desconhecidos dos familiares. — Ela começou a se envolver com amizades erradas e não queria mais escutar a família. Acabou por conhecer e ter namorados que a família não conhecia. No fim de 2017, já com 18 anos, Paola anunciou que iria embora de casa. A jovem interrompeu os estudos e abandonou o emprego. Disse à família que iria morar com algumas amigas. Foram apenas sete meses entre o dia que Paola deixou a casa da mãe e a notícia do seu desaparecimento. A irmã diz que a família tentou aconselhar a jovem para que retomasse a vida que tinha antes disso, mas não houve tempo para que pudessem convencê-la.
— Fizemos tudo que estava ao nosso alcance para ela não acabar assim, mas a perdemos de uma forma brutal, por motivos banais. Fica um alerta para todas as jovens que se acham espertas, mas são muito ingênuas e são facilmente enganadas pelo falso “amor” e uma vida fácil. Queria tanto contar uma história diferente para essa linda menina que sempre estava sorrindo, mas no fim seu sorriso e sua voz se calaram para sempre — lamenta.
